Mostrando postagens com marcador verdade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador verdade. Mostrar todas as postagens

09 junho 2011 / Tags: , , , , , , , ,


Sempre gostei do tom avermelhado que o sol dava aos fios do cabelo dele, fazendo-o parecer ainda mais concentrado naquele livro de autor do nome estranho. Nada de literatura nacional, acho que ele já tinha lido todos, então se refugiava nas literaturas de outros países.

Eu tinha a impressão que um dia, após tanto esforço, ele leria tudo que tem vontade. E quando esse dia chegar, ele vai abaixar finalmente os olhos das linhas e os colocará em mim. Talvez demore anos, eu não posso prever, mas posso esperar.

Por ele, eu posso esperar.

De todos os outros caras que eu conheci, nenhum deles chegava perto do meu querido Ricardo. Também estava longe do que eu julgava bom-pra-mim. Ele esquecia com frequência das datas importantes e era um tanto misantropo pela manhã. Nunca me deu flores, mas me levou ao seu banco preferido do parque e me explicou porque gostava de ler ali. Ele tinha preguiça de fazer a barba. Era rude quando contrariado. Odiava minha banda preferida e trocava uma boa conversa sobre coisas que eu amo por ler aqueles livros velhos.

Mas, todos os dias ele vinha ao meu apartamento e sentava comigo ali na namoradeira que coloquei ao lado da janela. Era hora do pôr-do-sol e eu adorava sentir aqueles raios percorrendo minha pele. Ele nunca foi fã de sol, mas sentava comigo ali e ficava. Quando ameaçava chover e um vento frio vinha da janela, ele me puxava para o seu peito, seu colo, seus braços e ficava comigo ali, até que o frio passasse, até que eu quisesse sair. No geral, demorava muito tempo.

Nós costumamos brigar todos os dias. É, por qualquer coisa. E quando isso acontece, cada um de nós vai pra um canto do apartamento. Eu sinto vontade de dizer tudo que eu mais odeio nele, mas controlo minhas palavras. Quando eu me canso de sentir saudades dele, mesmo ele estando no quarto fumando um cigarro, preparo uma xícara de café. Só uma. Coloco entre os dedos e vou até a janela. Ele apaga o cigarro, vai até onde eu estou e me abraça. E pronto, as coisas estão resolvidas. Simples assim.

Quando é pra ser, os maiores sacrificios se tornam simples como respirar.
Os defeitos se tornam só pedrinhas no caminho, você só precisava passar por cima.
Se não é fácil, apesar do quão difícil possa parecer, é porque não é Amor.