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09 maio 2011 / Tags: , , , , , , ,



Permitindo-me um tanto de clichê: parece que foi ontem mesmo quando tudo isso começou... Ontem que, de repente, eu senti necessidade de compartilhar com alguém tudo aquilo que gostava de escrever e esconder na última gaveta do guardarroupa. Ainda consigo ver exatamente o dia em que escrevi o Dádivas & Maldições, conto este que - além de um dos meus preferidos, até hoje - foi uma verdadeira propulsão para todos os outros contos.

Acreditem, depois que se libera as palavras pelos dedos uma vez, você não consegue mais controlá-las.

Desde então as coisas apenas evoluiram. Mudei de servidor - antes o blog era hospedado no Wordpress -, os contos foram ganhando vida, ganhando leitores e - por não dizer? - corações. Fico plenamente feliz com os números desse lugar e animada de saber que algumas pessoas também gostam dessas minhas palavras com gosto de café, música e sentimentos.

Como eu sempre achei esse blog um tanto impessoal, hoje, em comemoração ao primeiro aniversário do blog, resolvi que iria fazer diferente e gravei um vídeo pra vocês, explicando algumas coisas sobre ele, agradecendo algumas pessoas, me apresentando, esse tipo de coisa. Porém, o som saiu uma porcaria, minha internet não está funcionando como deveria e temo que não vou poder postá-lo ainda hoje. 

Na verdade, o vídeo era apenas para responder 5 das perguntas que estão sempre me fazendo o tempo todo, então vou transferi-la para cá mesmo, afinal, sou mais amiga das palavras...

27 abril 2011 / Tags: , , , , , ,

Pra ser lido ao som de "Chasing Pavements - Adele"

Eu tento, juro que tento, mas simplesmente não dá pra deixar pra lá.
Observo todos os dias, horas, minutos, segundos que posso.
Em todos os meus pensamentos, em todas as minhas músicas e em todos aqueles versos tolos que faço e escondo na última gaveta do meu armário.

Porque, quando você caminha, posso sentir que aquilo é quase um sacrifício. Vejo aqueles sorrisos que vêem e se vão com a mesma velocidade. Todas as músicas que menciona parecem à trilha sonora perfeita da depressão. Sei que está sofrendo, sei que precisava de alguém pra conversar. Alguém pra simplesmente sentar e ficar ali, sem precisar de motivos.

Mas, não sou sequer seu amigo.
Eu sou só o cara que gosta de observar sem que ninguém perceba.
Sem que isso incomode.
Sem que isso me deixe vulnerável.

E enquanto isso, essa solidão vem amiga e senta ao meu lado.
Faz-me companhia e diz que vai ficar.
Enquanto isso eu sei que você está sentada em algum lugar tentando bloquear os próprios pensamentos. Porque eles doem, porque você quer ser forte, mesmo quando tudo que o seu corpo pede é para ficar ali, sentada em qualquer lugar, fingindo que as coisas estão certas.

Otimismo é só o disfarce dos corajosos quando nada parece dar certo.
É a ilusão de que o mundo gira e logo trará algum melhor.
Mas, ele nunca trás se você não fizer algo a respeito.
Pensamentos positivos não são nada comparados às atitudes. 

E eu sei de tudo isso porque, uma alma reconhece o gêmeo-sofrimento de outra.
E eu sei que de algum modo você precisa de mim tanto quando eu preciso de você.
Mas, enquanto eu não digo e você não percebe, vou deixando que outras mãos cruzem os dedos aos seus, que outros corpos toquem o seu, que os seus sorrisos sejam como os meus e esperando que um dia sua solidão e a minha possam fugir para um lugar distante, enquanto eu sento e apenas de te observo respirar.

Quando é que você vai entender que toda essa solidão é porque não esta olhando para o lado certo?

19 janeiro 2011 / Tags: , , , ,



Aviso previamente que esse é um conto enorme
 e que eu não sou boa escrevendo em primeira pessoa.
Pelo tamanho, resolvi colocar um "continuar lendo" para não sobrecarregar a pagina do blog.
Espero realmente que gostem do conto.

Quando desci as escadas, observei o mar de brinquedos, tintas e gritaria que os gêmeos haviam feito na sala e finalmente alcancei a porta de entrada, queria tudo, exceto abrir a porta. Porque eu sabia que ele estaria lá fora com aquele sorriso sem humor, aquela mochila nas costas e os fios negros escondendo qualquer coisa que pudesse me deixar menos confusa.

Porque justo ele precisava ser minha dupla?

Coloquei a mão na maçaneta e pedi para o chão abaixo de mim sumir. Ser tragada pela terra parecia bem mais confortável que aquilo. Naquele instante a campainha tocou novamente. Lúcia, a baba dos gêmeos, saiu da cozinha de boca aberta. Provavelmente só foi até lá verificar o bolo no fogo e quando voltou encontrou aquele caos. De qualquer forma, ela encontrou fôlego para perguntar "Precisa de ajuda, Anne?"

Eu quis gritar, dizer para ela me ajudar a tapar todas as entradas e acionar os alarmes da casa porque um ladrão estava do outro lado da porta. Mas, mantive a face serena e balancei a cabeça. Aquilo era problema meu. E roubar corações não é um crime nesse país. Mas, olha, bem que deveria ser!

De qualquer maneira, eu podia ver a sombra dele por baixo da porta e conhecendo-o um pouco estava bem claro que ele iria embora em instantes, se eu não gira-se aquela maçaneta. Foi o que eu fiz. Abri e pontuei esse verbo com um suspiro de conformismo. Enfrentar os medos faz parte de ser corajoso, não é? E eu sou muito corajosa, acredite.

Claro que ele estava lá parado com as mãos nos bolsos, subindo e descendo sobre os pés. Ele não disse nada quando me viu, mas fitou-me com tanta intensidade que eu quis fechar a porta novamente. Porém, saí da frete e o convidei silenciosamente a entrar. Ele aceitou caminhando calmamente até o pé das escadarias.

"Leve seu amigo pro seu quarto, Anne. Vai ser impossível atravessar até aqui. Frederico, não jogue os brinquedos assim!". As minhas sobrancelhas deram um pulo ao escutar aquilo. Como é?! Levar o Vicente pro meu quarto?! A Lúcia estava ficando louca ou o quê?!