Desculpe, A., mas, você também quebra promessas.
T., como você se sente sabendo
que não serei uma das tolas que vão chorar no seu enterro?
Observei todas as falhas das calçadas até encontrar o portão do meu prédio. Meus tênis galgaram todos os degraus, um por vez. Eu não tinha a menor pressa de chegar à minha casa. Não quando eu sabia que a encontraria apenas sendo iluminada pela meia-luz fosca do abajur ao lado da minha cama. Além, claro, daquele silêncio incomodo que diz coisas que ninguém quer ouvir.
Encontrei a Sra. Albuquerque, minha vizinha do apartamento ao lado, quando cheguei ao meu andar. Ela me lançou um sorriso acolhedor com seus olhos azuis e leitosos. Suas mãos enrugadas alcançaram meu pulso como forma de apoio. Eu me obriguei a sorrir também para ela e fui quase convincente.
Ela desceu as escadas calmamente, depois olhou para trás. Eu ainda esperava no alto das escadas observando minha porta, perdida nos meus próprios erros. Lá de baixo, eu senti seus olhos queimarem minha nuca, virei o pescoço e observei-a por alguns instantes. Seus olhos queimavam de curiosidade em minha direção. Eu desviei o olhar, sentindo-me estranhamente envergonhada e caminhei.
Engraçado como tudo ao meu redor parecia me acusar.
Talvez porque eu realmente merecesse.