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18 abril 2011 / Tags: , , , , , , , ,



Sabe, eu gosto de pensar que minha vida é um seriado famoso. Que, por todos os lados onde estou, existem câmeras registrando tudo e que todos esses eventos bizarros são criações de roteiristas sádicos; que todos as pessoas que conheço são atores e que, qualquer dia desses, quando a verba acabar ou quando o público finalmente perceber o quão chato é me assistir, o diretor irá me contar tudo e pedir desculpas por toda a mentira que minha vida sempre foi. Então eu poderei começar tudo novamente.

Mas, enquanto todo mundo pensa que eu não sei sobre as câmeras, as falas ensaiadas e as risadas ao fundo, você pode me ver nesse novo episódio. Chamo-me Monalisa, tenho dezesseis anos e quando ninguém está olhando, eu finjo que sou realmente famosa!

Silêncio nos estúdio, por favor.
Luz, câmera, ação!
Tomada única.

...

O branco dos lençóis se misturava a minha própria brancura de um jeito estranho em meio ao meu quarto dominado por tons de branco, tabasco e roxo. Eu estava sentada do único modo em que se consegue pintar as unhas dos pés, uma pose no mínimo bizarra - e dolorosa, mas acho que apenas as meninas poderão me entender. Tinha certeza que ninguém entraria para ver, então pouco importava.

O escarlate das minhas unhas das mãos trazia as dos pés para o mesmo barco enquanto eu cantarolava tranquilamente, tentando imitar com a garganta a introdução de Secret Door. A letra me fez lembrar dele novamente. Aliás, infelizmente eu havia associado todas as músicas da minha banda preferida a ele - afinal, nossa banda preferida era a mesma.

Exceto o álbum Humbug, que ele não gostava muito.
Julgava depressivo demais.
E por isso era meu preferido.

27 março 2011 / Tags: , , , , , , , , , ,



Meu braço estava sob meus olhos e eu observava a escuridão dentro de mim. Ao contrário da maioria das pessoas, eu gostava do escuro. As pessoas têm medo da escuridão porque não sabem lidar com aquilo que não podem controlar. Eu sabia controlar minha escuridão. Minha alma jazia podre e escura dentro de mim e eu continuava controlando-a, limpando-a com qualquer coisa ácida o suficiente para fazer minha cabeça girar, como fazem as loucas paixões.

A mão grande e gelada dele estava parada na minha nuca, entre minhas madeixas escuras e cacheadas. Ele tentava roubar o calor dali deixando-a quietinha, enquanto disfarçava que simplesmente me deixava deitar em seu braço. Eu gostava do toque gelado na minha nuca.

Nós dois estávamos deitados no chão do apartamento dele. Antes de fechar meus olhos, eu o vi colocar a carteira, as chaves e três garrafas ali no chão, ao seu lado. Mexi minhas pernas e meu vestido preto e curto subiu ainda mais. Não me dei ao trabalho de arrumá-lo. Meus saltos mal me deixavam arrumar minhas pernas.

Senti minha saliva com gosto de Martini pedindo para descer pela garganta. Mais alguns instante e parecia que aquela agonia ia me matar, então engoli em seco. Ao fundo da minha traqueia eu ainda sentia o gosto de canela daquele último cappuccino com quem amanhã será meu ex-namorado.

Tirei o braço dos olhos e me levantei com cuidado. Eu não estava bêbada, tinha derramado em mim muito mais do que aquilo que ingeri. Passei uma das pernas pelo quadril dele e me sentei sobre ele. Coloquei as mãos uma de cada lado da cabeça dele e meus cabelos formaram um arco selvagem que impedia a luz (que entrava em formas quadradas pela janela fechada) de chegar até ali.

Eu queria levá-lo para minha escuridão.
Prendê-lo ali e tê-lo apenas para mim.