Sabe, eu gosto de pensar que minha vida é um seriado famoso. Que, por todos os lados onde estou, existem câmeras registrando tudo e que todos esses eventos bizarros são criações de roteiristas sádicos; que todos as pessoas que conheço são atores e que, qualquer dia desses, quando a verba acabar ou quando o público finalmente perceber o quão chato é me assistir, o diretor irá me contar tudo e pedir desculpas por toda a mentira que minha vida sempre foi. Então eu poderei começar tudo novamente.
Mas, enquanto todo mundo pensa que eu não sei sobre as câmeras, as falas ensaiadas e as risadas ao fundo, você pode me ver nesse novo episódio. Chamo-me Monalisa, tenho dezesseis anos e quando ninguém está olhando, eu finjo que sou realmente famosa!
Silêncio nos estúdio, por favor.
Luz, câmera, ação!
Tomada única.
...
O branco dos lençóis se misturava a minha própria brancura de um jeito estranho em meio ao meu quarto dominado por tons de branco, tabasco e roxo. Eu estava sentada do único modo em que se consegue pintar as unhas dos pés, uma pose no mínimo bizarra - e dolorosa, mas acho que apenas as meninas poderão me entender. Tinha certeza que ninguém entraria para ver, então pouco importava.
O escarlate das minhas unhas das mãos trazia as dos pés para o mesmo barco enquanto eu cantarolava tranquilamente, tentando imitar com a garganta a introdução de Secret Door. A letra me fez lembrar dele novamente. Aliás, infelizmente eu havia associado todas as músicas da minha banda preferida a ele - afinal, nossa banda preferida era a mesma.
Exceto o álbum Humbug, que ele não gostava muito.
Julgava depressivo demais.
E por isso era meu preferido.










